5 diretrizes para integrar o design UX à cultura da sua equipe ágil

Se você é engenheiro de software em uma equipe de desenvolvimento de produtos, talvez já saiba na prática como é difícil para as organizações criar rapidamente produtos excelentes e de alta qualidade enquanto atendem às tendências dos usuários, que mudam constantemente, ainda mais quando sua equipe é composta apenas por engenheiros com perfil muito técnico. Quem tem as habilidades técnicas para criar ótimos produtos muitas vezes pode não ter conhecimentos específicos do negócio ou simplesmente não conhecer os usuários o suficiente para entender suas necessidades. Sua equipe talvez já esteja acostumada a trabalhar com uma abordagem de desenvolvimento ágil e até use Scrum, mas:
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Vocês estão aprendendo o suficiente sobre o produto que estão criando e seus usuários?
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As funcionalidades que desenvolvem têm impacto nos usuários?
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Eles usam o produto e estão satisfeitos com ele?
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Vocês sabem o que fazer em seguida para continuar gerando impacto nos usuários?
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Mais importante, sabem quais caminhos de criação de produto NÃO seguir?
Se sua resposta à maioria dessas perguntas é não, provavelmente será muito útil conhecer melhor seus usuários e clientes. No entanto, quando esses grupos crescem para centenas, milhares ou mais pessoas, compreender o que acontece fica mais complexo e difícil. Embora possa ser muito frustrante, você não está sozinho: muitas equipes como a sua enfrentam o mesmo desafio. Também há um lado positivo, pois a maioria das organizações modernas, e provavelmente sua empresa, já pode ter pessoas que se destacam nesses aspectos, como gerentes de produto, especialistas no assunto e designers. Estes últimos podem ser especialmente úteis durante o ciclo iterativo entre descoberta e entrega de produto, pois as práticas de design baseiam grande parte do trabalho na pesquisa de usuários.
Talvez você já esteja se perguntando: Existe uma maneira melhor de conectar diretamente nossas habilidades e capacidades de criação de produtos aos clientes e usuários que os utilizam, para ajudá-los a alcançar os resultados desejados e criar algo com impacto? Essa pergunta talvez já tenha surgido na sua equipe ou até em diferentes níveis da organização. A boa notícia é que a resposta é Sim! Pode haver muitas opções com as quais sua equipe ou empresa pode experimentar para evoluir.
Do ponto de vista estratégico, a abordagem mais lógica seria alinhar suas equipes de produto com possíveis equipes de design, ou designers específicos, da organização. A questão é: como fazer isso de forma eficaz?
Estas são 5 diretrizes gerais que podem ajudar suas equipes de desenvolvimento ágil e designers a trabalhar bem juntos, enriquecendo o ciclo de criação de produtos e obtendo melhores resultados:
1. Concentre-se em destacar os pontos em comum entre as equipes Agile e de design UX, em vez das diferenças.
Fazer desenvolvedores e designers trabalharem juntos pode ser bastante desafiador, principalmente pela forma como se percebem. Por um lado, os desenvolvedores tendem a considerar UX um processo demorado e externo ao desenvolvimento, no qual uma pesquisa aprofundada de usuários gera requisitos complexos demais e pouco realistas que poderiam, e deveriam, ser simplificados e refinados. Também temem lidar com designs que mudam constantemente e costumam pressionar pela aprovação do design final antes de começar a desenvolver.
Por outro lado, os designers se preocupam com a exigência de designs finais pelos desenvolvedores e com o fato de suas ideias geralmente serem vetadas em uma equipe de desenvolvimento. Também tendem a se sentir deslocados nos scrums diários e acham difícil encaixar seu trabalho no backlog do produto, enquanto os sprints são restritivos demais para terminar tudo no prazo.
Na verdade, tanto o Agile, especialmente com Scrum, quanto o design UX se concentram em criar com eficiência produtos bem-sucedidos, centrados no usuário e de alta qualidade. Scrum e UX compartilham muitos princípios e ideias fundamentais. Aqui está uma breve lista de alguns deles:
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Ênfase no aprendizado contínuo
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Colocar o cliente em primeiro lugar
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Valorizar ótimas experiências do usuário
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Necessidade e respeito pelos ciclos de feedback
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As cadências e os eventos definidos pelo Scrum criam muitas oportunidades de aprendizado e adaptação
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O design UX oferece ferramentas, técnicas e fundamentos para incorporar o aprendizado à entrega de software
Entender o que nos une como desenvolvedores e designers abre caminho para um trabalho mais fluido, tanto no campo da descoberta, que costuma ocorrer no design UX, quanto no da criação, ou seja, do desenvolvimento de produtos. Aqui está um exemplo simples, sem intenção de ser prescritivo, de como as práticas de design UX podem se encaixar no framework Scrum:

2. Busque orientação voltando aos princípios e valores do Scrum.
Embora não entre em muitos detalhes aqui, sabemos que o Scrum, como framework, se apoia nos três pilares do empirismo: inspeção, adaptação e transparência. A ideia principal é a importância de experimentar abertamente com nossas suposições para garantir que aprendamos o que precisamos. O design de experiência do usuário está bem alinhado a isso, pois se concentra em estruturar o trabalho como problemas a resolver e priorizar resultados sobre entregáveis para gerar impacto significativo. O pensamento empírico está na sua essência.
Os valores do Scrum —coragem, foco, compromisso, respeito e abertura— também são essenciais para definir o alinhamento entre desenvolvimento e design UX. Desenvolvedores e designers devem entender a força de trabalhar juntos e ter coragem de se comprometer com isso, respeitando suas habilidades específicas e colaborando amplamente com respeito e abertura.
O mais importante para todos é satisfazer os clientes e deixá-los felizes com produtos que superem suas expectativas. Mas como chegar lá? Trabalhando juntos, desenvolvedores e designers na mesma equipe, aprendendo o máximo possível com os usuários e o produto de que precisam, e colaborando para torná-lo realidade. O Scrum facilita muito esse processo se todos estiverem dispostos a se comprometer a fazer o melhor pelos clientes e usuários.
3. Concentre-se nos resultados acima dos entregáveis.
Embora produzir incrementos utilizáveis que se somem à funcionalidade ampla de um produto ativo seja ótimo, também precisamos nos perguntar:
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Estamos lançando funcionalidades com frequência suficiente para usuários e clientes?
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Nossos clientes e usuários estão satisfeitos com as funcionalidades lançadas?
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Sabemos qual direção seguir com nossos produtos?
Se buscamos criar um produto orientado pelos clientes, precisamos incluir todos os clientes e usuários em um ciclo estreito de feedback: lançar novidades, medir sua satisfação com elas e capturar todo o feedback para continuar adaptando os esforços e produzir exatamente o que precisam. Os entregáveis, sozinhos, não bastam: criar e lançar funcionalidades que ninguém pediu e provavelmente ninguém usará não tem valor. Precisamos entender, trabalhando com nossa base de clientes, quais resultados esperam alcançar e usar isso para orientar nossos esforços.

4. Experimente o Dual-Track Agile, mas da maneira mais eficaz.
Muitas equipes Agile e de design UX já ouviram falar do conceito de Dual-Track Agile ou até trabalharam com ele. Basicamente, ele estabelece que você pode e deve ter um fluxo de desenvolvimento e um de design trabalhando juntos. O que você pensaria ao ver algo assim?

O problema é que esse conceito foi amplamente mal interpretado: você tem duas equipes, uma para cada fluxo, trabalhando em paralelo de forma semissincronizada; as equipes de design produzem coisas para a equipe de desenvolvimento construir, e pronto! Na verdade, isso cria dependências, restrições de tempo e artefatos, sem falar em dois backlogs.
Quero ser muito claro sobre esse assunto: essa não é a forma ideal imaginada pelos defensores do Dual-Track Agile. O Scrum propõe equipes que assumam tanto a descoberta quanto a entrega por meio de uma composição multifuncional adequada, algo mais parecido com isto:

Embora o Scrum tenha apenas três papéis —Product Owner, Scrum Master e equipe de desenvolvimento, sem distinção de títulos entre “desenvolvedores”—, isso não significa que designers não possam fazer parte de uma equipe Scrum. Eles não apenas podem, mas devem fazer parte, se possível.
Agora, como organizar o trabalho de design e desenvolvimento juntos de uma forma que faça sentido? Aqui estão algumas maneiras:
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Você pode incluir o trabalho de design como itens do backlog do produto. Sim, é simples assim. O trabalho de mais alto nível, como a estratégia pela perspectiva do design UX —pesquisa, formulação de hipóteses e sessões de design, para citar alguns exemplos—, pode ser representado como itens do backlog do produto a serem trabalhados nos sprints, com colaboração de toda a equipe.
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Você pode incluir o trabalho tático de design nos critérios de aceitação ou até na definição de pronto, uma maneira ainda mais poderosa de integrar os dois fluxos. Como a maior parte do trabalho do backlog do produto já deve ser expressa em termos de valor para usuários e clientes, é muito provável que seus itens de backlog incluam atividades de pesquisa, experimentação e/ou design. Então, por que não garantir que essas tarefas façam parte dos critérios de aceitação ou da definição de pronto da equipe? Assim, você estará promovendo a colaboração.

5. Trabalhe para tornar seus esforços de descoberta e aprendizado iterativos.
Há uma ideia equivocada bastante difundida de que o design UX é um processo de descoberta que precisa acontecer por completo antes da criação dos produtos. Na verdade, você deve percorrer continuamente os fluxos de descoberta e entrega ao mesmo tempo, embora em proporções diferentes, em cada sprint.

O design UX oferece muitas ferramentas e práticas que ajudam as equipes a entender quem é o usuário, o que ele quer, quais dificuldades devemos tentar resolver e como orientar o produto a partir dos resultados. O Scrum oferece uma estrutura de oportunidades de aprendizado e descoberta, mas tudo isso é inútil se as equipes não confirmarem as suposições e documentarem o que aprendem. Há ferramentas excelentes, como o Lean UX Canvas de Jeff Gothelf, que facilitam documentar todos os aspectos da iniciativa de produto em um só lugar e permitem usá-lo como guia e artefato principal para registrar suas mudanças e evolução.
Esperamos que essas diretrizes ajudem você a ter uma visão mais clara de como começar a experimentar a união das equipes de desenvolvimento e design. Mantenha a mente aberta ao abordar os diferentes aspectos e veja o que funciona melhor para suas equipes.